Brasil já está em recessão econômica e a duração depende do prolongamento da pandemia

Maurício Oliveira – Assessor econômico da COBAP
 O resultado oficial de queda de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre (janeiro a março) do ano já confirma que o Brasil entrou em recessão econômica. Desemprego cresce e renda e consumo despencam. Esse quadro vai piorar muito quando for divulgado, brevemente, o resultado do segundo trimestre (abril a junho), onde os maiores impactos da pandemia do coronavirus serão desastrosos.

 

A aceleração do contágio e dos óbitos por coronavirus aumentarão a crise econômica brasileira. A pandemia no Brasil continua descontrolada e sem previsão de melhora. O país não realizou com eficácia o isolamento social e a quarentena, pois houve uma falta de coordenação entre os governos federal, estadual e municipal. A atual flexibilização e a retomada da economia estão sendo monitoradas para se verificar se haverá necessidade ou não de um novo confinamento.

As medidas emergenciais para conter os impactos econômicos da pandemia não foram, até o momento, suficientes. O crédito não chegou devidamente junto às milhares de micro e pequenas empresas, que se encontram endividadas e em estado de insolvência financeira, incapazes de se reinventar para manter seus negócios em funcionamento. O período de atendimento do auxílio financeiro de R$ 600 aos milhões de trabalhadores informais é insuficiente. Discute-se no Congresso Nacional e no Governo Federal a continuidade desse auxílio.

Diversas instituições multilaterais de análise técnica e socorro financeiro, tais como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) fazem péssimas previsões para o Brasil, chegando mesmo a estimar uma queda do nosso Produto Interno Bruto (PIB) neste ano da ordem de 9,1%. Taxa essa, a pior dos últimos 100 anos da história econômica do Brasil.

Na verdade, o tamanho e a amplitude da nossa recessão econômica vão depender do prolongamento da pandemia do coronavirus. Sabe-se, de antemão, que os três principais pilares de sustentação da nossa economia, quais sejam, a indústria, o comércio e os serviços, estão em franco declínio. Os gastos federais no combate ao coronavirus ainda não foram suficientes e não podem parar. Diante disso, estima-se para este ano um rombo fiscal de cerca R$ 900 bilhões e um endividamento do Estado da ordem de 95% a 100% do PIB.

O ano de 2020 já está totalmente contaminado pela recessão. Enquanto não houver vacina contra o coronavirus a situação econômica só tende a piorar. Quanto mais rápido for o controle da pandemia no país, melhor para minimizar a derrocada econômica. Entretanto, por enquanto, o quadro é desalentador. A forte queda da arrecadação tributária da União, dos estados e dos municípios neste ano, aliado ao colapso do sistema sanitário, já antecipam a necessidade de um novo pacto federativo para reconstruir o país pós-pandemia.

Fonte: COBAP


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