Crise ambiental e de direitos humanos impedem a retomada dos investimentos estrangeiros no Brasil

Maurício Oliveira – Assessor econômico

 

Diante da pandemia do coronavirus e seus impactos econômicos, com previsão de mais de 6% de queda no Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, o Brasil vai necessitar urgentemente de investimentos estrangeiros para tentar fazer a retomada da economia.

Entretanto, os investidores estrangeiros, bancos, fundos e outras instituições de crédito, que possuem rígidas normas de aplicação monetária e representam trilhões de dólares, estão acompanhando com muita apreensão e discórdia a degradação crescente do meio ambiente e a violação dos direitos humanos no Brasil, principalmente a falta de proteção aos povos indígenas.

Desde a realização do Fórum Econômico Mundial no mês de janeiro deste ano na cidade de Davos, Suíça, que governos, investidores e entidades de defesa do meio ambiente alertam o governo brasileiro para as conseqüências nefastas da falta de políticas públicas ambientais e em defesa da Amazônia. De lá para cá, as condições ambientais se deterioraram. Grileiros, madeireiros e garimpeiros atuam ilegalmente na região.

O quadro atual é que a devastação da Amazônia se acelera com um aumento vertiginoso do desmatamento que já atingiu seu maior nível de destruição em uma década, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Com isso, representantes de 29 instituições financeiras de países como Estados Unidos, Reino Unido, Noruega e Japão divulgaram documento alertando o governo brasileiro de que só haverá novos investimentos no país se houver uma mudança positiva nas ações ambientais.

Os investidores estrangeiros levantaram cinco pontos em que esperam ver avanços no país. Entre eles, está uma redução significativa das taxas de desmatamento, o cumprimento do código florestal do país, a melhoria na capacidade das agências ambientais (IBAMA e ICMBio) de cumprirem suas obrigações de fiscalização, a prevenção das queimadas e mudanças climáticas, e acesso público aos dados de desmatamento, cobertura florestal e rastreabilidade das cadeias de produção de commodities (produtos agrícolas).

As incertezas e a insegurança para o investimento estrangeiro crescem a cada dia e afastam muitos recursos que são imprescindíveis para a retomada da economia brasileira no período pós-pandemia. A imagem externa do país tem piorado muito. Sem investimento, a recessão econômica será maior e vai se prolongar.

Fonte: COBAP


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