Perspectivas para a economia mundial e brasileira em 2020

Por Maurício Oliveira

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 de apenas 1,1% foi muito baixo em relação às expectativas do mercado. A crise na relação bilateral com a Argentina, a guerra comercial dos EUA com a China e a inabilidade política do Governo Federal em lidar com o Congresso Nacional foram os principais motivos desse baixíssimo crescimento econômico do país.

 

O crescimento econômico só foi possível graças à melhoria da oferta de crédito e à baixa taxa de juros SELIC. Isso tudo empurrou para cima o consumo das famílias. A decepção foi a indústria que recuou pela queda das exportações de veículos para a Argentina. O leve aumento do emprego refletiu mais nos postos de trabalho sem carteira assinada e a renda média mensal do trabalhador estagnou na casa de R$ 2.340,00.

 

As perspectivas econômicas para 2020 são ruins. Existe uma crise politica entre os poderes Executivo e Legislativo prejudicando o andamento das reformas administrativa e tributária. Além disso, vem ocorrendo dois fatores de peso para perturbar a economia global: a expansão do coronavírus e o pânico decorrente, e a crise do petróleo com a derrubada do preço do barril.

 

O não andamento das reformas faz cair o nível de confiança na economia e, consequentemente, o adiamento da retomada dos investimentos produtivos. Há uma grande saída de capitais das bolsas de valores e uma escalada perigosa do dólar gerando desvalorização da nossa moeda e um encarecimento das importações brasileiras.

 

O surto do coronavírus vai afetar negativamente as exportações brasileiras de commodities para a China (principalmente minério e soja) e já vem derrubando a oferta de produtos a nível internacional. Se não há oferta, a demanda também se contrai. Há, portanto, uma redução da produção e do consumo em escala mundial.

 

Com relação à crise do petróleo deflagrada pela guerra de preços entre a Arábia Saudita e a Rússia, e a abrupta queda no preço do barril, criou-se um ambiente econômico de instabilidade em todo o mundo, afetando duramente as bolsas de valores. Juntamente com a crise decorrente do coronavírus, esses dois fatos graves podem deflagrar uma recessão econômica mundial. A economia brasileira está no meio de dois furacões e já vem prejudicando a Petrobrás com a queda de bilhões em seus ativos.

 

Os pânicos financeiros gerados pela expansão do coronavírus e pela crise do petróleo com certeza afetarão para baixo o crescimento econômico mundial. Resta saber qual o será o tamanho dessa crise e quais serão suas repercussões na economia brasileira.

Fonte: COBAP

 


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