Ajuste fiscal do governo não atinge os ricos e só penaliza os trabalhadores e aposentados

Maurício Oliveira – Assessor econômico

 

O governo, ao cortar R$ 69,9 bilhões do orçamento, vai gerar mais aperto na vida do trabalhador e dos aposentados e pensionistas. Isso porque a redução nos gastos significará redução de crédito e consumo, alta nas tarifas públicas, aumento da inflação e aumento nos juros. Ou seja, os trabalhadores e os aposentados, mais uma vez, pagarão a conta do ajuste fiscal do Governo Federal.

 

Entretanto, esse ajuste fiscal poderia ser diferente do ponto de vista da justiça social e tributária. Ao invés de, por exemplo, reduzir o acesso aos direitos previdenciários e trabalhistas (MPs 664 e 665), o governo poderia ter adotado o caminho de realizar uma reforma tributária capaz de atingir mais os ricos do que insistir num modelo de aumentar a carga tributária dos mais pobres, com os aumentos de água, luz, telefone, combustíveis e cesta básica.

 

O governo poderia melhorar a justiça tributária regulamentando o Imposto sobre as Grandes Fortunas (IGF), já previsto na Constituição de 1988. Porém, o “lobby” da elite econômica é tão forte que até hoje essa matéria nunca foi devidamente tratada e jamais aprovada pelo Congresso Nacional.

 

Se aprovado, o IGF poderia arrecadar cerca de R$ 50 bilhões. Apenas ele, já poderia realizar praticamente todo o reequilíbrio fiscal do governo, poupando os trabalhadores da ativa, os aposentados e pensionistas.

 

As classes médias e os mais pobres pagam mais impostos do que os mais ricos. Portanto, o custo do ajuste fiscal deveria ser feito em cima dos mais ricos.

Fonte: http://www.cobap.org.br