O Leão da Receita volta a rugir, mas quem pagará o pato será apenas o contribuinte pessoa física, o cidadão comum

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PARIS – O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou nesta terça-feira em visita a Paris que o aumento do Imposto de Renda — “sobre rendas mais altas”, em suas palavras — pode fazer parte do pacote para reforçar a arrecadação do governo. Levy demonstrou pressa na aprovação de medidas de ajuste fiscal no Congresso, ressaltando que são necessárias para diminuir a inflação e restaurar a confiança na economia brasileira.

Questionado por jornalistas, o ministro indicou que a elevação da tributação não está descartada.

— Pode ser um caminho. Essa é discussão que a gente está tendo agora e que eu acho que tem que amadurecer o mais rapidamente no Congresso — comentou.

 

Levy observou que, atualmente, o Brasil tem menos impostos sobre pessoa física do que a maioria dos países do órgão, especialmente em relação às rendas elevadas. Ele lembrou, entretanto, que propostas de aumento dos impostos dos ricos já foram recusadas no passado: — A gente nem sempre tem tido êxito de intensificar a tributação sobre as rendas mais altas. O nosso objetivo da reforma tributária não é aumentar a arrecadação, a carga. Na verdade, é trazer simplicidade às empresas, mais transparência, e trazer também uma igualdade entre os setores que aumente a eficiência da economia.

Em Paris, o ministro reuniu-se com seu homólogo francês, Michel Sapin, participou de uma série de reuniões na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e esteve com empresários na embaixada do Brasil. Após a agenda, em entrevista, Levy ressaltou que o país passa por um momento de grandes mudanças estruturais e que a presidente Dilma Rousseff tem reiterado o compromisso do governo em promover o equilíbrio das contas públicas.

— O próprio mercado está olhando, mas todo mundo está olhando: a dona de casa, os congressistas. O Brasil vai reagir a essas novas condições da própria economia mundial e às necessidades de manter um equilíbrio fiscal que dê tranquilidade aos investidores e às famílias — disse. — Eu acho que essa discussão, com o Brasil sendo um país democrático, está sendo feita no lugar mais importante das discussões fundamentais, que é no Congresso.

O ministro afirmou que a economia brasileira precisa “ganhar eficiência”, e que o ajuste das contas é “muito importante” para o país voltar a ter crescimento econômico. O Orçamento apresentado pelo governo ao Congresso prevê um deficit de R$ 30,5 bilhões em 2016, e estima que o PIB (Produto Interno Bruto) do país vai crescer 0,2% no próximo ano.

— Qualquer trabalhador, qualquer dona de casa ou sindicalista sabe que a inflação é a maior inimiga do poder de compra, a maior inimiga de se ter salários que continuem se valorizando. É por isso que é tão importante essa discussão fiscal — ressaltou. — A gente tem sido bastante transparente, chamado a atenção para o fato de que hoje há um desequilíbrio no Orçamento – inclusive a gente mandou o Orçamento com esse desequilíbrio para permitir essa discussão, que é fundamental para garantir uma transição estável, segura, para a retomada do crescimento.

Fonte: Blog dos Aposentados